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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Experimento lança dúvida sobre uma das teorias fundamentais da física

A teoria desenvolvida pela ciência no século 20 para explicar todos os fenômenos elétricos, magnéticos e a forma como a luz interage com a matéria está sendo desafiada por um importante resultado experimental. Considerada pelo ganhador do Nobel Richard Feynman a "joia da física - nosso maior orgulho", a eletrodinâmica quântica, ou QED, pode acabar se revelando um diamante imperfeito.







Divulgação/NatureCapa da revista Nature desta semana, com a descoberta da medida do próton

Não é pouca coisa: a QED é uma das teorias mais bem-sucedidas de todos os tempos. No livro que escreveu sobre o assunto, QED, A Estranha Teoria da Luz e da Matéria, Feynman (que morreu em 1988), compara a exatidão dos resultados produzidos com base nela à de uma medida da distância entre as cidades de Los Angeles e Nova York - de mais de 3.900 km - que fosse correta até a espessura de um fio de cabelo.


 
O experimento que está pondo a precisão da QED em jogo sonda espaços muito menores que o da largura de um cabelo humano, no entanto. Descrito na edição desta semana da revista Nature, ele representa a medição mais perfeita já obtida do raio do próton, uma das partículas fundamentais da matéria, presente no núcleo de todos os átomos. Se a espessura de um fio de cabelo se mede em micrômetros, ou milionésimos de metro, o raio de próton é apenas uma fração de femtômetro. É preciso um trilhão de femtômetros para fazer um milímetro.



O raio do próton apresentado na Nature é da ordem de 0,84 femtômetro. Experimentos mais antigos, no entanto, haviam fixado um valor mais próximo de 0,87. A diferença, embora pareça pequena, fica além das margens de erro estatístico e pode representar a primeira rachadura na couraça da QED, teoria que serviu de base para os cálculos realizados tanto na medição atual quanto nas anteriores.



Erro, revolução e cautela



Entre os cientistas, a discrepância, com sua sugestão implícita de uma falha na estrutura da QED, ao mesmo tempo entusiasma, intriga e inspira cautela. "Um problema na física da QED é a explicação menos provável, mas de longe a mais interessante e a principal motivação para trabalhos assim", resume o físico Jeff Flowers, do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido e autor de um comentário que acompanha o artigo na Nature.


                                                 
Flowers considera como mais prováveis causas para a diferença um erro de cálculo ou de experimento, cometido na medição atual ou em trabalhos prévios. Mas faz uma ressalva: "Por causa da discrepância entre o resultado deste artigo e os trabalhos anteriores, o artigo foi revisado, tanto formal quanto informalmente, por especialistas em física teórica e experimental, e ninguém conseguiu apontar um erro. Claro, isso não prova que não haja erro, mas ele com certeza não é óbvio".







Parte do aparato laser usado para medir o tamanho do próton. F. Reiser/PSI/Divulgação





O principal autor do artigo com o novo raio do próton, Randolf Pohl, do Instituto Max Planck de Óptica Quântica, na Alemanha, também diz que não está convencido de que a QED tenha falhado. "Mas estamos muito intrigados", reconhece. "Os experimentos são todos muito precisos e redundantes, então é difícil ver como poderiam ter errado tanto. E os teóricos acreditam que seus cálculos estão corretos".



"Minha opinião pessoal", diz ele, "é que temos muito trabalho pela frente", envolvendo novos experimentos e revisão dos cálculos. "Só se ninguém encontrar um erro é que poderemos presumir que a QED está em apuros".



Novas teorias e tecnologias



Mas o que significaria a QED estar em apuros? O fato de equipamentos eletrônicos funcionarem é uma prova de que ela não pode estar muito errada. Pohl concorda: "Sim, se a QED estiver errada, seria um efeito muito sutil, que não afetaria o funcionamento interno de televisores ou computadores".



Flowers, por sua vez, lembra que há casos na história da ciência em que o que parecia ser apenas uma pequena correção teórica, num determinado momento, acabou se revelando uma revolução filosófica e técnica mais à frente.



"A Relatividade Geral poderia ter sido apenas uma pequena perturbação da gravidade newtoniana", exemplifica, referindo-se à interpretação de Albert Einstein para os efeitos gravitacionais, que difere da teoria clássica de Isaac Newton. "No entanto, essa pequena perturbação acabou se revelando muito significativa". Não só filosoficamente a relatividade é "uma mudança radical de pensamento", diz ele, como na prática a teoria de Einstein se mostrou necessária para aplicações tecnológicas de alta precisão, como o sistema GPS.



"Como na gravidade newtoniana, uma falha da QED terá, de imediato, implicações para a física e para o nosso modelo do mundo e, no futuro, possivelmente em aplicações de alta precisão e tecnologias que ainda não conhecemos", especula.



Uma "física além da QED", capaz de explicar o resultado experimental, poderia incluir uma nova partícula subatômica, ainda desconhecida e não prevista nas teorias atuais. "Trata-se de possibilidade altamente especulativa e que só tem sido discutida em 'coffee-breaks' por enquanto", adverte Pohl.



"Podemos olhar novamente para a história, onde tem havido um ciclo de teorias sendo derrubadas por experimentos e levando a novas teorias", diz Flowers. "Esperamos continuar a refinar nossa compreensão e nossa capacidade de manipular o mundo físico".



O experimento



A medição do raio do próton foi feita por uma equipe de cientistas europeus liderada por Randolf Pohl e realizada no Instituto Paul-Sherrer, na Suíça. Os pesquisadores obtiveram sucesso na tentativa de substituir o elétron de um átomo de hidrogênio por uma partícula com a mesma carga elétrica, mas mais pesada, o múon.



O hidrogênio é o átomo mais simples que existe, composto apenas por um próton no núcleo e um elétron em órbita. Sendo mais pesado, o múon descreve uma órbita em torno do núcleo muito mais estreita que a do elétron e, por isso, sofre perturbações intensas, provocadas pela proximidade do próton.



Medindo essas perturbações com o uso de raios laser, os cientistas deduziram o raio do próton com uma precisão dez vezes maior que a permitida por outros experimentos. A ideia de usar "hidrogênio de múons" para medir o próton existia há décadas, mas desafios tecnológicos só permitiram que a experiência fosse tentada há poucos anos. O sucesso, afinal, veio em 2009.



"Até onde sabemos, os elétrons são partículas pontuais. Os prótons, não", explica Pohl. "São feitos de três quarks, muitos pares virtuais quark-antiquark e muitos glúons. Se você pensar no próton como uma nuvem difusa de quarks e glúons, essa nuvem ocupa algum espaço". A medição realizada permite obter um valor que pode ser interpretado como o raio médio da nuvem.



O fato de o próton ser menor do que se imaginava não significa, no entanto, que o conteúdo de espaço vazio embutido em matéria feita de átomos - planetas, árvores, pessoas - seja muito maior.



"O que conta não é o tamanho das partículas constituintes, mas o alcance da interação eletromagnética", diz Pohl. "Nesse aspecto, os átomos continuam a ser do mesmo tamanho. Além disso, o vazio não é de todo vazio. De acordo com a QED, o vácuo no interior dos átomos e dos prótons está repleto de fótons e partículas virtuais. Mas essa é outra história".



Abaixo, um vídeo sobre a execução do experimento:



Fonte: http://www.estadao.com.br/

É isso meus caros, cada vez mais acredito no que Sócrates dizia: "Só sei que nada sei." Nem isso estamos sabendo mais. A natureza é algo lindo, e o que tem de beleza tem de complexidade. Estamos presenciando um novo momento na física.

Clave de Pi - "O conhecimento é a harmonia da vida."

sábado, 3 de julho de 2010

Criado objeto que se dobra sozinho

A folha protótipo se dobra em duas formas diferentes: experimento pode levar a objetos que assumam qualquer formato


por John Matson


A folha pode se dobrar em um barco ou um avião em segundos

Pesquisadores da Harvard University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT) inventaram um transformer da vida real: é um dispositivo capaz de dobrar-se em duas formas ao receber um comando. O sistema está praticamente pronto para a batalha com os Decepticons: por enquanto, as formas de origami em que essa engenhoca se transforma são um barco relativamente bruto e um avião, mas o conceito pode um dia produzir objetos “camaleônicos”, capazes de se transformar em qualquer forma concreta.



As folhas autodobráveis são apenas um protótipo da tentativa de construir estruturas que possam mudar de forma. A ideia, segundo a coautora Daniela Rus, especialista em robótica no MIT, é fazer objetos de uso cotidiano que possam ser transformados, da mesma forma que as pessoas programam um computador. “Em vez de bits e bytes de programação", diz ela, "você programa as propriedades mecânicas do objeto".



O sistema, descrito em um artigo publicado on-line no Proceedings of National Academy of Sciences, consiste em uma camada fina de resina composta de fibra de vidro, com poucos centímetros de diâmetro, dividida em 32 painéis triangulares separados por juntas de silicone flexível. Algumas das articulações têm atuadores sensíveis a calor, que dobram 180 graus quando aquecidos por uma corrente elétrica, fazendo com que a folha dobre nessa articulação. Dependendo do programa utilizado, a folha vai realizar uma série de dobras para se transformar em um barco ou avião, demorando cerca de 15 segundos.



Embora o modelo apresentado no novo documento faça apenas duas formas, os pesquisadores dizem que, em princípio, o sistema poderia produzir muito mais. "Estávamos procurando maneiras de inserir várias funcionalidades diferentes em uma folha", diz o coautor Robert Wood, engenheiro eletricista do Laboratório de Microrobótica da Harvard University. "Em longo prazo, gostaríamos de desenvolver sistemas para transformação de formas incontáveis.”



Os pesquisadores observam que especialistas serão capazes de projetar um sistema mais eficiente. "Não sou tão criativo e, por vezes, os especialistas em origami podem ver alguns passos à frente, como um jogador de xadrez", disse Rus. "Você vê que os padrões não são óbvios como em um programa de computador, que faz um processo passo-a-passo".



Rus prevê que em curto prazo a tecnologia computacional do origami pode construir um display tridimensional, que, por exemplo, se transforme em mapas reproduzindo a topografia de uma determinada região. E futuras aplicações poderemos ultrapassar a forma simples de mimetismo e envolver propriedades ópticas, elétricas ou acústicas.

sábado, 26 de junho de 2010

Existência de novo elemento químico é confirmada por dois laboratórios

Átomos com 114 prótons são produzidos; propriedades ainda são desconhecidas
A tabela periódica deve ficar maior: três laboratórios independentes criaram átomos com 114 prótons em seu núcleo.
Em 1999, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Nuclear em Dubna, Rússia, afirmaram ter criado átomos do elemento 114. Mas não havia confirmação independente. Agora, dois outros laboratórios também conseguiram fabricar o elemento.
Uma equipe foi liderada por Heino Nitsche e Ken Gregorich, no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia; a outra foi liderada por Christoph Düllmann, do Centro de Pesquisa em Íons Pesados, em Darmstadt, Alemanha.
Como o grupo de Dubna, os grupos americano e alemão lançaram átomos de cálcio, contendo 20 prótons em seu núcleo, contra átomos de plutônio, contendo 94 átomos.
Em alguns casos, o núcleo de um átomo de cálcio se fundiu com o de um átomo de plutônio, criando um átomo com 114 prótons.
O laboratório americano detectou dois átomos do elemento 114, enquanto o laboratório alemão detectou 13.
A maioria dos átomos decaiu para átomos mais leves em frações de segundo, embora um deles tenha levado 3,6 segundos para se quebrar.
A cadeia de produtos de decaimento fornece uma assinatura que confirma a existência do elemento 114.
Os resultados foram publicados no periódico "Physical Review Letters".
Batismo
Com base nesses resultados, a Iupac (União Internacional de Química Pura e Aplicada, na sigla em inglês) redigiu um relatório para adicionar oficialmente o elemento à tabela periódica. O relatório está em processo de revisão.
Se aprovado, além da adição à tabela periódica, o novo elemento deve ganhar um nome. Em fevereiro, um elemento com 112 prótons foi reconhecido pela Iupac e chamado de copernício em homenagem ao astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
Propriedades
As propriedades químicas do elemento 114 ainda são uma incógnita. O elemento pode ser tanto um gás nobre quanto um metal dependendo de seu comportamento.
O experimento alemão permitiu criar e capturar o elemento de uma forma mais eficiente, o que deve permitir a realização de testes mais eficientes.
Se o elemento 114 for capaz de grudar em uma superfície de ouro, por exemplo, ele estaria mais próximo dos metais. Se, por outro lado, o elemento 114 não interagir com ouro, ele seria considerado um gás nobre.

Fonte: Jornal da Ciência

Neil Peart - Um dos Maiores bateristas da atualidade

Neil Peart começou a tocar bateria aos 13 anos de idade, observando os grandes nomes que se apresentavam na época. Após uma temporada em Londres, volta desanimado para o Canadá e participa de uma seleção para o novo baterista do Rush. Entra para a banda no dia do aniversário de Geddy Lee, em 29 de julho de 1974, e duas semanas após a 1ª turnê americana do grupo. Finalmente se apresenta pela primeira vez com o Rush no dia 14 de agosto de 1974, tocando para 11.642 pessoas no Civic Arena, Pittsburgh, USA, na abertura de shows do Uriah Heep e Manfred Mann. Seu primeiro Drum Kit Profissional foi um Slingerland prata. Suas principais influências musicais foram Keith Moon, do The Who, Bill Bruford do Yes e Carl Palmer do Emerson Lake & Palmer, todos originalmente muito técnicos e criativos. Neil é um ávido leitor e suas influências como letrista são: J.R.R. Tolkien, Ernest Hemmingway, John Steinbeck, F. Scott Fitzgerald, Dos Passos, Barth, Ayn Rand and Gabriel Garcia Marquez.
Como escritor lançou: "The African Drum"(1988), "Raindance Over the Rockies"(1988), "Drum Beats"(1994) , "The Masked Rider"(1996), "Ghost Rider" (julho de 2002) e "Traveling Music:Playing Back The Soundtrack To My Life and Times (2004)
Em 1996 lançou "Neil Peart - A Work In Progress" - 2 vídeos que documentam a gravação do álbum "Test For Echo" do Rush. Também produz 2 Tributos ao baterista Buddy Rich "Rurning For Buddy: A Tribute To The Music of Buddy Rich" Vol.1 em 1994, e Vol.2 em 1997.
Em agosto de 1997 começa o "calvário" de Neil, com a morte de sua filha única Selena, num acidente fatal de Jippe. Dez meses depois,em junho de 1998, sua mulher Jacqueline Taylor morre de câncer. O Rush pára por cinco anos. Neil faz sua famosa "viagem de renascimento" em cima de uma motocicleta por quase toda a América do Norte e parte de México. Na volta é um outro homem. Começa a compor novo material. Casa-se com a fotógrafa Carrie Nuttall em 2002. Eles residem atualmente em Los Angeles - CA .

Família: -
Irmãos: Danny, Judy e Nancy
Esposa: (1ª) Jacqueline Taylor (falecida), (2ª) Carrie Nuttall
Filhos: Selena Taylor (falecida)
Passatempos: Praticar bateria, andar de moto e leitura de livros
Esportes Favoritos: Ciclismo e Arco e Flexa

Neil Peart foi um marco na história da bateria. Ele agrupou vários instrumentos percurssivos, até então não utilizados na bateria, para fazer um som diferente. Constituindo assim umas das baterias com mais peças que se tem notícia. Assistam o solo dele:



ELEIÇÃO DOS LEITORES DA REVISTA "MODERN DRUMMER"

. Baterista Novo Mais Promissor: 1980
. Melhor Baterista de Rock: 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985
. Melhor Performance Gravada:
- 1981 - Moving Pictures
- 1981 - Exit...Stage Left
- 1982 - Signals
- 1985 - Grace Under Pressure
- 1986 - Power Windows
- 1988 - Hold Your Fire
- 1989 - A Show Of Hands
- 1990 - Presto
- 1992 - Roll The Bones
- 1994 - Counterparts
- 1997 - Test For Echo
- 1999 - Different Stages
. Melhor Instrumentista de Percussão: 1982
. Melhor Multi-Percussionista: 1983, 1984, 1985, 1986
. Hall Of Fame: 1983
. Sala De Honra - Melhor Multi-Percussionista: 1986
. Sala De Honra - Melhor Baterista de Rock: 1986
. Melhor Baterista De Todos Os Tempos: 1986

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Brasil ganha quatro medalhas na Olimpíada de Matemática no Cone Sul

Foram uma medalha de ouro, duas de prata e uma de bronze

O Brasil conquistou quatro medalhas na 21ª Olimpíada de Matemática do Cone Sul, realizada no sábado (19), em Água de São Pedro (SP).
O estudante João Lucas Camelo Sá, de Fortaleza (CE), levou o ouro. Gabriel Militão Vinhas Lopes, de Fortaleza, e Maria Clara Mendes Silva, de Pirajuba (MG), ganharam prata, enquanto Caíque Porto Lira, também de Fortaleza, ficou com o bronze.
A competição teve a participação de 32 estudantes do ensino médio, com representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.
As equipes foram formadas por até quatro estudantes, com provas realizadas em dois dias consecutivos. Em cada dia, foram resolvidos três problemas em quatro horas e meia de prova. Todos os integrantes da equipe nacional conquistaram medalhas.
Essa foi a quarta edição da competição no Brasil. A primeira Olimpíada de Matemática do Cone Sul ocorreu em Montevidéu, Uruguai, em 1988, tendo representantes de apenas quatro países.
Desde sua primeira participação no certame o Brasil já conquistou um total de 77 medalhas, sendo 19 de ouro, 30 de prata e 28 de bronze. A participação brasileira é organizada por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).
A OBM é um projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa/MCT) e tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Matemática (INCT-Mat).

Fonte: Jornal da Ciência

Centro do colisor de Hádrons está aberto para países não europeus

'Estrangeiros' podiam participar de experimentos, mas não liderá-los. Abertura abre possibilidade de expansão do orçamento do LHC
O Cern, centro europeu de pesquisas voltado para o estudo das partículas, que atualmente conduz a maior experiência científica da humanidade (o Grande Colisor de Hádrons - LHC, na sigla em inglês), está aberto para que os países de todo o planeta, que tenham qualificação para tanto, tornem-se membros da instituição.
Até agora, o centro criado há 56 anos perto de Genebra, entre a fronteira da França e da Suíça, dono de um orçamento anual de 10 bilhões de francos suíços (US$ 8,7 bilhões), havia aceitado apenas Estados europeus como membros plenos, embora muitos outros participem de suas atividades.
"Este é um salto gigantesco para a física das partículas que reconhece a globalização crescente da área", disse Michel Spiro, presidente do conselho normativo do Cern, que tomou a decisão no fim de semana. Rolf Heuer, diretor-geral do organismo cujos cientistas venceram uma série de prêmios Nobel e que fez pesquisas que levaram à criação da internet (em 1989), afirmou que a mudança reflete o interesse global na pesquisa sobre o nascimento do universo.
A mudança não necessariamente significa mais dinheiro para o Cern, cujo orçamento é fixo por cinco anos e depois compartilhado entre seus membros, de acordo com o porta-voz James Gillies. Mas quer dizer que há uma potencial fonte de receita extra para a organização, que, segundo críticos, consome enormes fundos que poderiam ser utilizados para finalidades mais práticas.
Os defensores, e os governos que aprovam o seu orçamento, afirmam que há muitas consequências benéficas à economia e para a saúde derivadas da atividade do centro. Fundado em 1954 por 12 países europeus com o objetivo de restaurar o papel do continente na pesquisa da área da física após a Segunda Guerra Mundial, o Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) atualmente tem 20 membros.

Uma nova Revolução Industrial, artigo de Marcelo Gleiser

"Alguma coisa tem de ser mudada na maneira como se usa energia. E não só nos EUA, mas no mundo"

Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA). Artigo publicado na "Folha de SP":

Na semana passada, um sombrio presidente Obama falou ao povo americano da Casa Branca. "É inaceitável não fazermos nada", afirmou. Seu discurso tinha o tom de um grito de guerra, se não na intensidade da sua voz (ele nunca perde a linha), ao menos na mensagem. Na quarta, a empresa petroleira BP criou um fundo de US$ 20 bilhões para ressarcir a população costeira que sofre com os milhões de galões de petróleo que cobrem suas praias e destroem seu ganha-pão.
Imagine algo semelhante ocorrendo no Brasil: a costa de Campos até Angra coberta por uma enorme mancha negra; ninguém vai à praia, os pescadores não pescam. As garantias oferecidas pela BP contra esse tipo de desastre, "estamos preparados para algo muito pior", não funcionaram.
Parece ser bem mais fácil escavar um poço submarino a 1.500 m de profundidade do que saber como extirpar o seu vazamento.
É tudo uma questão de prioridade corporativa. A exploração do petróleo se dá em lugares cada vez mais remotos. Veja os 50 bilhões de barris na costa do Rio enterrados sob uma densa camada de sal e a 2.200 m de profundidade. Será que seremos capazes de deter um vazamento?
Obama lembrou aos americanos que seu país consome em torno de 20% do petróleo mundial, enquanto suas reservas são de apenas 2%. Não é necessário ser um estrategista para ver que isso é um problema sério: se uma nação precisa de um recurso para sobreviver, vai fazer de tudo para obtê-lo.
Daí as guerras com tanques e bancos, as quase mil bases militares no estrangeiro, os tentáculos espalhados pelo mundo tentando controlar uma situação muito instável. Somando-se a isso o fato de que as maiores reservas de petróleo estão em países hostis aos EUA (e, claro, essa antipatia é consequência, ao menos em parte, da política externa invasiva dos americanos), a situação torna-se explosiva.
Alguma coisa tem de mudar. Precisamos embarcar numa nova Revolução Industrial. A era dos combustíveis fosseis está acabando.
As companhias petroleiras têm uma excelente oportunidade para mudar sua imagem e tomar a dianteira, sendo os grandes instigadores da mudança. Existe muito dinheiro para ser feito numa economia verde.
À medida que a população mundial cresce, e um número cada vez maior de pessoas entra para a classe média, o apetite por energia só vai aumentar. Com isso, aumentará também o lucro das empresas que produzem e fornecem essa energia.
Uma super-rede, capaz de integrar fontes diferentes (sol, ventos, biomassa) e de transportar essa energia por enormes distâncias, o treinamento de mão de obra especializada, a formação de mais engenheiros e cientistas, a implantação de incentivos fiscais que motivem as pessoas e empresas a adotar tecnologias alternativas - essas são condições necessárias para que a nova revolução tome rumo. Necessárias, mas não suficientes.
As pessoas precisam se convencer disso. Olho para meu filho de quatro anos com um misto de otimismo e desespero. Sonho com um novo mundo, no qual interagimos com a natureza para preservá-la.
Essa guerra é entre nosso passado e nosso futuro. E o fato é que só pode ser lutada no presente.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Data histórica: 20/02 de 2002

Quarta-feira, dia 20 de fevereiro de 2002 foi uma data histórica. Durante um minuto, houve uma conjunção de números que somente ocorre duas vezes por milênio.
Data histórica: 20/02 de 2002

Quarta-feira, dia 20 de fevereiro de 2002 foi uma data histórica. Durante um minuto, houve uma conjunção de números que somente ocorre duas vezes por milênio.

Essa conjugação ocorreu exatamente às 20 horas e 02 minutos de 20 de fevereiro do ano 2002, ou seja, 20:02 20/02 2002.

É uma simetria que na matemática é chamada de capicua (algarismos que dão o mesmo número quando lidos da esquerda para a direita, ou vice-versa). A raridade deve-se ao fato de que os três conjuntos de quatro algarismos são iguais (2002) e simétricos em si (20:02, 20/02 e 2002).

A última ocasião em que isso ocorreu foi às 11h11 de 11 de novembro do ano 1111, formando a data 11h11 11/11/1111. A próxima vez será somente às 21h12 de 21 de dezembro de 2112 (21h12 21/12/2112). Provavelmente não estaremos aqui para presenciar. 
Depois, nunca mais haverá outra capicua. Em 30 de março de 3003 não ocorrerá essa coincidência matemática, já que não existe a hora 30.

Essa conjugação ocorreu exatamente às 20 horas e 02 minutos de 20 de fevereiro do ano 2002, ou seja, 20:02 20/02 2002.

É uma simetria que na matemática é chamada de capicua (algarismos que dão o mesmo número quando lidos da esquerda para a direita, ou vice-versa). A raridade deve-se ao fato de que os três conjuntos de quatro algarismos são iguais (2002) e simétricos em si (20:02, 20/02 e 2002).

A última ocasião em que isso ocorreu foi às 11h11 de 11 de novembro do ano 1111, formando a data 11h11 11/11/1111. A próxima vez será somente às 21h12 de 21 de dezembro de 2112 (21h12 21/12/2112). Provavelmente não estaremos aqui para presenciar. 
Depois, nunca mais haverá outra capicua. Em 30 de março de 3003 não ocorrerá essa coincidência matemática, já que não existe a hora 30.                                           

Supercomputador procura ponto fraco da malária

Grupo faz simulações para entender melhor como essa doença se espalha e resiste aos esforços da erradicação
por Larry Greenemeier
© ALEXEY ROMANOV, VIA ISTOCKPHOTO.COM
Velocidade e poder de um supercomputador criam simulações complexas para descobrir como age o mosquito da malária
Compreender os mecanismos da propagação de doenças infecciosas como a malária, que matou cerca de 1 milhão de pessoas no mundo todo em 2008, é um passo crucial para erradicá-las. No entanto, obter uma visão clara de como a malária se propaga e resiste aos esforços de erradicação significa ter acesso a uma quantidade impressionante de dados de uma variedade de fontes – tarefa que requer um supercomputador.

Supercomputadores, antes privilégio de algumas universidades e laboratórios do governo, nos últimos anos tornaram-se mais acessíveis aos pequenos laboratórios de pesquisa. Isso inclui a Intellectual Ventures, em Bellevue, Washington, que está aproveitando a velocidade e o poder de um supercomputador para criar simulações e revelar soluções para problemas complexos, incluindo a propagação da malária.

Segundo a Intellectual Ventures, esse supercomputador é um projeto em andamento compartilhado por duas equipes diferentes de pesquisa, uma no estudo da malária, e o outra no projeto conhecido como TerraPower, que estuda uma tecnologia para um reator nuclear. O projeto de estudo sobre a malária começou a decolar em 2007, após um órgão ligado à Fundação Bill e Melinda Gates, chamado Intellectual Ventures, ter desenvolvido novas tecnologias para combater a malária. Isso gerou a ideia de usar modelos de computadores para simular a propagação da doença no mundo.

O supercomputador tem um software que extrai dados biológicos sobre comportamento e taxas de reprodução dos parasitas Plasmodium vivax e os mosquitos que os carregam, bem como informações sobre os padrões de infecção e resposta imune em humanos. Outros dados incluem locais onde as pessoas vivem ou viajam, fatores ambientais (temperatura, precipitação e altitude), importantes para a transmissão da malária, e os hábitats das diferentes espécies de mosquitos. O software utiliza dados de diversas fontes, incluindo a Organização Mundial de Saúde, Malaria Atlas Project, de universidades e da Nasa para criar modelos de como surtos de malária se propagam.

A Microsoft apresentou recentemente uma iniciativa que irá concentrar-se especificamente na oferta de recursos para computadores de alto desempenho. "A Microsoft Technical Computing Group está trabalhando para levar a supercomputação às massas", diz John-Luke Peck, engenheiro de sistemas da empresa.
Todos os direitos reservados a Scientific American Brasil

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quebras Silenciosas


Rompimento nas placas na crosta terrestre nem sempre resulta em grandes erupções vulcânicas, conclui estudo publicado na "Nature"

Quando placas na crostra terrestre se rompem, isso nem sempre implica a ocorrência de grandes erupções vulcânicas. A conclusão é de um estudo publicado nesta quinta-feira (17/6) na revista "Nature".

A pesquisa explica por que algumas partes do mundo experimentaram erupções de grande porte há milhões de anos, enquanto outras não.

A crosta terrestre é dividida em placas que estão em constante movimento - em períodos de tempo de milhões de anos. As placas ocasionalmente colidem umas com as outras ou se fundem. Também podem quebrar, formando novas.

Quando uma placa tectônica se quebra, uma coluna de rocha derretida pode ser ejetada do interior terrestre, causando uma forte atividade vulcânica na superfície.

Quando a crosta se abriu, promovendo a deriva continental que deu origem às atuais América do Norte e Europa, há cerca de 54 milhões de anos, o processo provocou uma atividade vulcânica intensa no espaço aberto.

Os cientistas estimavam que tal atividade ocorresse apenas nos espaços formados quando os continentes se separam, mas o novo estudo indica que houve pouca atividade vulcânica quando o atual subcontinente indiano se separou do que hoje se conhece por Seicheles, há 63 milhões de anos.

De acordo com pesquisas anteriores, a temperatura do manto abaixo da placa seria a chave para determinar o nível de atividade vulcânica no caso de rompimento. Mas o novo estudo demonstrou que a história anterior da fenda também influencia fortemente se haverá ou não atividade vulcânica.

No caso do rompimento que separou a América do Norte da Europa, uma atividade de grande dimensão ocorreu pela extensão da fenda porque um evento geológico anterior havia deixado a placa mais fina, destaca o novo estudo.

Isso teria fornecido um ponto focal no qual o manto sob a placa se derreteu rapidamente, formando magma que foi ejetado facilmente pela placa fina até a superfície, em grandes explosões.

Em comparação, quando a Índia se separou das Seicheles, pouca atividade vulcânica se fez presente, porque a região havia experimentado um forte vulcanismo em uma área próxima 6 milhões de anos antes. Isso teria esfriado o manto e reduzido o suprimento de magma, deixando muito pouco para quando ocorreu a quebra da placa.

Os pesquisadores realizaram análises nas profundezas do Oceano Índico de modo a determinar o tipo de rochas abaixo do solo oceânico. Descobriram apenas pequenas quantidades de rochas basálticas, que indicam atividade vulcânica anterior.

O grupo também usou novos modelos computacionais, que eles mesmo desenvolveram, para simular o que teria ocorrido no solo oceânico no processo que levou à separação da Índia e das Seicheles.

"Extinção em massa, a formação de novos continentes e mudanças climáticas globais são alguns dos efeitos que podem ocorrer quando as placas se quebram e causam grandes erupções. Nosso estudo ajudará a enxergar com mais clareza os fatores por trás dos eventos que contribuíram para moldar a Terra durante milhões de anos", disse Jenny Collier, do Departamento de Ciência da Terra e Engenharia no Imperial College London, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores pretendem explorar as profundezas do Atlântico, de modo a determinar a antiga atividade vulcânica na região que se abriu quando a África se separou da América do Sul.

O artigo "The importance of rift history for volcanic margin formation" (doi:10.1038/nature09063), de John Armitage e outros, pode ser lido por assinantes da "Nature" em www.nature.com


Fonte: Jornal da Ciência