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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Recriadas temperaturas do Big Bang

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Recriadas temperaturas do Big Bang
WASHINGTON – Cientistas criaram a mais alta temperatura já feita em laboratório: quatro trilhões de graus Celsius.
Quente o suficiente para quebrar a matéria no tipo de sopa que existiu microssegundos após o nascimento do universo.
Eles usaram um colisor de partículas no Laboratório Nacional Brookhaven, do Departamento de Defesa, em Nova York, para derrubar íons de ouro e fazer explosões ultra-quentes – que duraram apenas milissegundos.
Mas isso foi suficiente para dar dados para os físicos estudarem por anos e, em algum tempo, essas informações devem ajudar  a compreender como e porque o universo se formou.
"A temperatura é quente o bastante para derreter prótons e nêutrons”, disse Steven Vigdor, do Brookhaven, na conferência da American Physical Society, em Washington, hoje.
Essas partículas fazem átomos, mas elas mesmas são constituídas de componentes menores chamados quarks e gluons.
O que os físicos procuram são pequenas irregularidades que podem explicar porque a matéria se aglomerou fora da sopa inicial.
Eles também esperam usar as descobertas para aplicações mais práticas, como no campo da "spintronica", que busca fazer dispositivos de computadores menores, mais rápidos e mais poderosos.
Eles usaram o Relativistic Heavy Ion Collider (RHIC), um acelerador de partículas e colisor que tem 3,8 km de extensão e está enterrado três metros abaixo da superfície em Upton, Nova York, para colidir bilhões de vezes íons de ouro.
"O RHIC foi feito para criar material a temperaturas encontradas no início do universo" disse Vigdor. Os cientistas calculam que quatro trilhões de graus é um número bem próximo.
"Quão quente é isto?" ele perguntou.
Para efeito de comparação: “A temperatura estimada de derretimento de prótons e nêutrons é de dois trilhões de graus. A temperatura no centro de uma supernova tipo 2 típica é de dois bilhões de graus”, disse ele.
O centro do nosso Sol tem 50 milhões de graus Celsius, o ferro derrete a 1.800 graus e a temperatura media do Universo é agora 0,7 graus acima do zero absoluto.
A equipe de Vigdor acredita que eles estejam olhando para a recriação do momento anterior àquele em que a sopa de quark-gluon condensou em hádrons – as partículas de matéria que constituem grande parte do universo.
Alguma coisa aconteceu milissegundos após o Big Bang para criar um desbalanceamento a favor da matéria e em detrimento da anti matéria. Se não houvesse essa disparidade, matéria e anti matéria teriam simplesmente reagido para criar um universo de pura energia.
Ainda este ano, físicos usando o Large Hadron Collider, na Suíça, esperam conseguir colidir íons de chumbo para criar temperaturas ainda mais altas, que devem corresponder a momentos anteriores ao nascimento do universo.
O Brookhaven também patenteou algum uso potencialmente comercial da pesquisa, diz o teórico Dmitri Kharzeev.
"O objetivo aqui é criar um aparelho que pode operar não só na corrente de uma carga elétrica, como também na corrente de um giro," disse Kharzeev.
Quarks giram em diferentes direções, e entender como e porque eles fazem isso pode ajudar cientistas a aproveitar sua energia.
Pode ser possível recriar um giro simétrico em grafeno, por exemplo, disse Kharzeev. Grafeno também é um nano-material que os cientistas acreditam poder substituir o silício em aparelhos super rápidos e minúsculos.
"Estamos pensando nas aplicações práticas também”, disse Kharzeev.

Fonte: InfoAbril.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A matemática da Rotação dos cubos

Há duas transformações importantes nesta imagem: rotações e projeções. A idéia de sombra representa-se matematicamente por projeção, que pode ser de duas formas. A primeira é a projeção ortográfica, que corresponde a uma fonte luminosa infinitamente distante. Neste caso a sombra é do tamanho do objecto projetado, independentemente da distância deste à sua sombra. (Esta maneira de projetar está descrita com mais detalhe em Cubos às Fatias - ver nosso post).

A segunda é a projeção estereográfica. Esta corresponde a ter a fonte luminosa a uma distância finita da superfície onde as sombras se formam. Neste caso as sombras dos objetos mais próximos da luz têm sombras maiores do que os que estão mais afastados. Podemos fazer a experiência numa sala escura com uma lâmpada, para ver bem como isto funciona. Matematicamente, a projeção estereográfica a partir do ponto (0,0,0,d) do espaço tetradimensional sobre o hiperplano xyz (isto é, o espaço a três dimensões) é dada pela aplicação 

$$p_d: \mathbb{R}^4 \mapsto \mathbb{R}^3$$
e

$$p_d(x,y,z,w) = \frac{d}{d-w}(x,y,z)$$

para todos os pontos onde $$w\ne d$$.

No nosso caso, o objeto projetado é o hipercubo de vértices (±1,±1,±1,±1) e o centro de projeção é o ponto que tem d = 4. Mas o nosso cubo é rodado antes de ser projectado. Uma rotação representa-se por multiplicação por uma matriz, por exemplo, para rodar no espaço tetradimensional de forma a que o eixo dos xx se aproxime do eixo dos ww um ângulo $$\theta$$ podemos usar a função:

$$R_\theta (x,y,z,w) = \begin{pmatrix}\cos\theta & 0& 0& -\sin\theta\\ 0&1&1&0\\ 0&1&1&0\\ \sin\theta & 0& 0&\cos \theta\end{pmatrix} \begin{pmatrix}x\\y\\z\\w\end{pmatrix}.$$
Movendo os vértices do hipercubo através desta rotação seguindo-se a projeção obtemos a posição no espaço tridimensional da sombra do hipercubo.
Para determinar as arestas dos hipercubo, começamos por formar as arestas de um cubo comum tridimensional, depois juntamos uma quarta coordenada, -1. Formamos um segundo cubo e nova quarta coordenada, neste caso 1. (Estes são os cubos amarelo e laranja). Finalmente ligamos os vértices correspondentes nestes dois cubos por intermédio de arestas. Temos então o esqueleto do hipercubo que se pode ver na imagem.

Fonte: Para Além da Terceira Dimensão. - por Thomas F. Banchoff e Davide P. Cervone

A Matemática dos Cubos às Fatias

Um método importante para compreender um objecto tridimensional é cortá-lo por uma série de planos paralelos, e observar as fatias bidimensionais assim criadas. Por exemplo, num exame TAC o médico obtém uma série de imagens a duas dimensões dum corpo humano, a partir das quais vai reconstruir uma imagem tridimensional.
Podemos empregar uma estratégia semelhante na tentativa de compreender melhor um objecto tetradimensional. Podemos cortá-lo segundo fatias produzidas por hiperplanos tridimensionais paralelos, observar as fatias produzidas e tentar reconstruir o objecto tetradimensional que as originou.
Para isso, olhamos atentamente para o processo que nos permite compreender um objecto tridimensional simples, como um cubo. Claro que um cubo pode ser seccionado de várias maneiras (ver os filmes das fatias de um cubo), mas a mais interessante é quando o plano que define a fatia é ortogonal à maior diagonal do cubo. Isto é, começamos num vértice, cortamos sucessivamente o cubo até atingirmos o vértice oposto.
No princípio as fatias são triângulos equiláteros (um vértice por cada aresta seccionada e uma aresta por cada face). Conforme vamos cortando mais, estes triângulos vão crescendo, até que a fatia atinge os três vértices adjacentes ao inicial. Os cortes seguintes apresentam a forma de triângulos truncados até que, a meio caminho, se apresentam como hexágonos regulares. Neste momento todas as faces do cubo estão a ser seccionadas da mesma forma. Continuando vamos encontrar as mesmas formas, por ordem inversa, três lados do hexágono crescem enquanto os outros diminuem, até que atingem três vértices, e temos triângulos de novo. Os triângulos encolhem até atingirmos o vértice oposto ao inicial.
Esta sucessão de fatias é ilustrada em Cubos às Fatias pelas imagens planas sob os objectos tridimensionais. Podemos ver o triângulo máximo quando o plano corta o primeiro conjunto de três vértices, o triângulo truncado, e, no centro, o hexágono regular. Esta sequência inverte-se quando continuamos para a direita. O cubo em si é representado pelas linhas azuis escuras. Estas formam uma vista do cubo correspondente a ter a fonte luminosa directamente sobre um vértice do cubo (para mais pormenores ver os filmes das projecções ortográficas do cubo).
Tendo compreendido as fatias de um cubo, podemos tentar usar essa compreensão na tentativa de visualização do hipercubo baseada nas suas fatias tridimensionais, que são produzidas por hiperplanos ortogonais à sua diagonal maior. Nesta situação, a primeira fatia corta um vértice.Como há quatro arestas incidentes em cada vértice, o hiperplano intersecta cada uma delas gerando-se assim quatro vértices na fatia. Há quatro faces cúbicas que se encontram no vértice que está ser cortado, portanto cada um deles é também cortado pelo hiperplano. De cada um destes cubos está a ser tirado um vértice, portanto o corte forma um triângulo em cada um dos cubos, exactamente como vimos acima. Cada cubo contribui então com um triângulo para o corte do hipercubo, portanto a fatia tem de ser um tetraedro imerso no hiperplano em questão, um sólido regular já contemplado por Platão.
À medida que avançamos a cortar o hipercubo, este tetraedro cresce até atingir os quatro vértices adjacentes ao que está a ser destacado pelo corte. Esta situação está ilustrada à esquerda. Passando estes quatro vértices, os cantos do tetraedro começam a ser truncados, exactamente como o triângulo era truncado nos corte do cubo. De facto, neste ponto, as quatro faces cúbicas estão a ser seccionadas da mesma forma, atingindo todas as intersecções a certo momento a forma hexagonal. Os outros quatro cubos do hipercubo começam agora a ser cortados, e cada um perde assim um vértice, gerando intersecções triangulares. Juntos, os quatro hexágonos e os quatro triângulos formam uma figura semi-regular que se chama tetraedro truncado, um sólido arquimedeano, e que pode ser visto no segundo corte.
Passando este ponto os hexágonos transformam-se de triângulos truncados de novo, e os outros triângulos crescem. Quando se atingir outro conjunto de vértices, os triângulos truncados tornam-se triângulos. Neste momento todos os oito cubos do hipercubo estão a ser seccionados, contribuindo cada um com um triângulo para o corte, gerando-se um octaedro, outro sólido platónico, que é a nossa imagem central. Este poliedro regular tem por vértices seis dos vértices do hipercubo.
Quando continuamos esta sequência inverte-se. Passando estes seis vértices, quatro das faces do octaedro tornam-se hexágonos, mas trata-se das faces opostas às anteriores. Vemos de novo o tetraedro truncado (o quarto corte na figura). Quando o hiperplano passa mais quatro dos vértices do hipercubo temos de volta o tetraedro (imagem à direita). A partir daqui vemos o tetraedro encolher até desaparecer no vértice oposto ao do início dos cortes. Na projecção do hipercubo que usamos, tanto o vértice inicial como o final se encontram no centro da figura; ver os filmes das fatias de um hipercubo para uma descrição mais completa desta e doutras sequências.

Fonte: Para Além da Terceira Dimensão. - por Thomas F. Banchoff e Davide P. Cervone

Câncer traz riscos à vida selvagem

Evidências mostram que casos da doença em animais selvagens vêm crescendo


por Lynne Peeples

“Muitas pessoas provavelmente não se dão conta da semelhança entre animais e humanos, que eles são afetados pelos mesmos processos”, explica Denise McAloose, a patologista-chefe da Sociedade e principal autora do artigo publicado na Nature Reviews Cancer. “Temos muito a aprender sobre as doenças que acometem os animais silvestres, seu impacto sobre as populações e como se conectam com a saúde das pessoas e do planeta.”

Algumas espécies estão especialmente ameaçadas. O demônio da Tasmânia, por exemplo, sofre de um tumor facial contagioso, que está se espalhando rapidamente, colocando o maior marsupial carnívoro em risco de extinção. A espécie tem um “impacto muito significativo sobre as populações e o ecossistema em geral”, relata a patologista ao ScientificAmerican.com. “Se extinta, quem sabe o que acontecerá em seguida? Poderá haver uma superpopulação de roedores.” Os conservacionistas estão tentando salvar o animal por meio da reprodução em cativeiro.

Embora essa doença do demônio da Tasmânia não esteja relacionada à atividade humana, outros cânceres que atingem a vida selvagem podem estar. “As toxinas no ambiente podem causar câncer também nos animais silvestres, não somente em humanos”, comenta Denise, apontando para a alta prevalência da doença, detectada por sua equipe, em tartarugas marinhas e baleias beluga que nadam em águas poluídas. Ela observa que, embora os vírus possam ser a causa derradeira, o ambiente provavelmente está “promovendo ou contribuindo para a ocorrência desses tumores”.

Uma melhora na monitoração da vida selvagem pode, inclusive, ajudar os humanos. “Os animais agem como sentinelas”, declara. “A partir deles, poderemos saber se há algo no ambiente que devemos prestar atenção... Assim, poderíamos providenciar um lenitivo que melhorasse a saúde tanto de animais quanto de humanos.”

Todos os direitos reservados a Scientific American Brasil.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Condições de Cauchy-Riemann

Consideremos uma função $$f(z) = f(x + iy) = u + iv $$ sendo $$u = u(x, y)$$ e $$v = v(x, y)$$. Se existe a derivada de $$f$$ em um ponto $$z_0 = (x_0 + y_0)$$, $$f(z_0)$$, então as derivadas parciais das funções $$u$$ e $$v$$ em $$z_0$$ satisfazem as condições $$u_x(x_0,y_0) = v_y(x_0,y_0)$$ e $$u_y(x_0,y_0) = -v_x(x_0,y_0)$$.


$$u_x(x,y)=v_y(x,y)$$ e $$u_y(x,y)=-v_x(x,y)$$ são chamadas condições ou equações de Cauchy-Riemann [C–R] e são usadas para decidir se uma função complexa $$f$$é derivável em um ponto. Caso uma destas condições não seja satisfeita em um ponto , é suficiente para afirmarmos que $$f$$ não é derivável (e portanto, não é analítica) neste ponto.

As condições de Cauchy-Riemann nos diz se a função $$f$$ é derivável ou não em um ponto, mas não nos informa quem é a derivada neste ponto. Para isto enunciamos o teorema.

Teorema:
Seja a função $$f(z) = f(x, y) = u(x, y) + i v(x, y)$$ com as derivadas parciais $$u_x, u_y, v_x e v_y$$ funções contínuas. Então $$f$$ é derivável em $$z_0 = (x_0,y_0)$$ se, e somente se $$u_x = v_y$$ e $$u_y = -v_x$$ em $$z_0$$ e $$f(z_0)= u_x(z_0) + iv_x(z_0)$$

Fonte - PUCRS - Pontifícia  Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

G. F. B. Riemann

Conferencista afirma: plano é redondo

G. F. B. Riemann filho de um pastor luterano, foi educado em condições modestas. Era uma pessoa tímida e fisicamente frágil.
Teve boa instrução em Berlim e depois em Göttingen onde obteve seu doutorado com uma tese sobre teoria das funções de váriaveis complexas, onde aparecem as equações denominadas de Caucy-Riemann, embora já fossem conhecidas por Euler e D'Alembert. Neste trabalho já estabelece o conceito de superfície de Riemann que desempenharia papel fundamental em Análise.
Nomeado professor da Universidade de Göttingen em 1854, apresentou um trabalho perante o corpo docente e que resultou na mais célebre conferência da história da matemática. Nele estava uma ampla e profunda visão da Geometria e seus fundamentos que até então permanecia marginalizada.
Ao contrário de Euclides e em sentido mais amplo do que Lobachevsky, observou que seria necessário tratar-se de pontos, ou de retas, ou do espaço não no sentido comum, mas como uma coleção de n-uplas que são combinadas segundo certas regras, uma das quais a de achar distância entre dois pontos infinitamente próximos.
Para Riemann, o plano é uma superfície de uma esfera e reta é o círculo máximo sobre a esfera. De sua sugestão de estudar espaços métricos em geral com curvatura, tornou-se possível a teoria da relatividade, contribuindo assim para o desenvolvimento da física.
Riemann conseguiu muitos teoremas em Teoria dos Números, relacionando-a com Análise, onde encontraremos também a equação de Cauchy-Riemman que é uma concepção intuitiva e geométrica da Análise, em contraste com a aritmetização de Weierstrass.
Um de seus brilhantes resultados foi perceber que a integral exigia uma definição mais cuidadosa do que a de Cauchy e, baseado em seus conceitos geométricos, concluiu que as funções limitadas são sempre integráveis.
Em 1859, Riemann foi nomeado sucessor de Dirilech na cadeira de Göttingen, já ocupada por Euler. Com seu estado de saúde sempre precário, acabou por morrer em 1866 em consequência de uma tuberculose.

Fonte: Fundamentos da Matemática Elementar.

Crânio antigo revela que primeiros primatas não precisavam de grandes cérebros

Fóssil de 54 milhões de anos indica que nem todas as atividades realizadas por eles necessariamente desencadearam aumento do tamanho cerebral

por Katherine Harmon

Se comparados com os outros mamíferos, os primatas – dos lêmures até os humanos – possuem cérebros enormes. Mas os cientistas ainda não sabem exatamente o motivo – ou mesmo quando – nossos cérebros incharam. Estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences postula que, mesmo sem cérebros grandes, os primeiros primatas eram capazes de realizar muitas tarefas próprias da espécie – um achado que questiona muitas das atuais teorias evolucionistas.
                                                                                                                             
Em se tratando dos primatas em geral, “nos primórdios, não tinham um cérebro excepcionalmente grande”, esclarece Jonathan Bloch, curador-associado de paleontologia dos vertebrados do Museu de História Natural da Flórida (pertencente à University of Florida) e co-autor do artigo. Para explicar a expansão dos cérebros primatas, os pesquisadores apresentaram vários mecanismos possíveis. Por exemplo, habitar árvores deve ter exigido um maior poder cerebral para a coordenação de músculos e articulações na vida fora do chão. As mudanças na dieta, como o consumo de frutas em vez de folhas, também podem ter levado a uma maior disponibilidade de calorias para o desenvolvimento cerebral.

No entanto, Bloch e seus colegas propuseram que o dono do raro crânio de 54 milhões de anos, um Ignacius graybullianus (pertencente a um ramo extinto da árvore genealógica dos primatas), já realizava essas tarefas com um cérebro definitivamente não primata. Não somente o cérebro do I. graybullianus correspondia a dois terços do tamanho cerebral dos menores primatas modernos, como “não se assemelha em nada ao dos primatas”, explica o professor de antropologia evolucionária da Duke University, Richard Kay, que não estava envolvido no estudo, mas foi o primeiro a descrever esse crânio peculiar (em 1989). Segundo Kay, se forçada a comparação com algum animal moderno, “estaria olhando para um ouriço”.

Bloch e sua equipe usaram tomografias computadorizadas de alta resolução para retratar a cavidade cerebral. A partir disto, conseguiram criar um modelo completo do cérebro, usando uma impressora tridimensional. “Chegar a uma construção 3D na íntegra é meio que inacreditável”, exalta-se Bloch.

Uma das maiores diferenças, para Bloch e os outros autores, é a extensa região olfatória cerebral, junto com partes menores do lobo temporal, o que ajuda no processamento visual. “O sentido mais desenvolvido desses animais era o olfato, e não a visão”, ao contrário dos primatas modernos, afirma Bloch.

Embora o I. graybullianus estivesse rumo ao desenvolvimento de um cérebro diferenciado − conforme observa Bloch −, um verdadeiro cérebro de primata não apareceu até o eoceno, 55 a 34 milhões de anos atrás.

As novas descobertas estabeleceram “um importante paradigma”, sentencia Kay. O cientista observa que, até agora, não havia um ponto de partida confiável para a evolução cerebral do primata, restando aos pesquisadores traçar correlações entre a fisiognomonia e o comportamento modernos. Porém, conclui Kay, “não se pode determinar um padrão de evolução sem saber o que aconteceu no passado”.

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Triângulo de Pascal

O Triângulo de Pascal é um triângulo numérico formado por Binômios de Newton (leia o post sobre binômio de Newton) $$\begin{pmatrix}n\\k\end{pmatrix}$$, onde $$n$$ representa o número da linha (posição vertical) e $$K$$ representa o número da coluna (posição horizontal). O triângulo foi descoberto pelo matemático chinês Yang Hui, e 500 anos depois várias de suas propriedades foram estudadas pelo francês Blaise Pascal (Veja Biografia)

Propriedades:

Relação de Stifel.

Cada  número do Triângulo de Pascal é igual a soma do númedo imediatamente acima e do antecessor do número acima $$\begin{pmatrix}n - 1\\k - 1\end{pmatrix} + \begin{pmatrix}n - 1\\k\end{pmatrix}=\begin{pmatrix}n\\k\end{pmatrix}$$

$$\begin{matrix} &\mathbf{0}&\mathbf{1}&\mathbf{2}&\mathbf{3}&\mathbf{4}&\mathbf{5}\\ \mathbf{0}&1&&&&&\\\mathbf{1}&1&1&&&&\\ \mathbf{2}&1&2&1&&&\\\mathbf{3}&1&3&3&1&&\\ \mathbf{4}&1&4&\underline{\overline{6}}&\underline{\overline{4}}&1&\\ \mathbf{5}&1&5&10&\underline{\overline{10}}&5&1\\ \end{matrix}$$

Portanto:
$$\begin{pmatrix}4\\2\end{pmatrix} + \begin{pmatrix}4\\3\end{pmatrix} = \begin{pmatrix}5\\3\end{pmatrix}$$
$$6 + 4 = 10$$

Soma de uma linha:

A soma de uma linha no Triângulo de Pascal é igual a $$2^n$$.
$$\begin{matrix} &\mathbf{0}&\mathbf{1}&\mathbf{2}&\mathbf{3}&\mathbf{4}&\mathbf{5}&\mathbf{6}&\mathbf{2^{n}}\\ \mathbf{0}&1&&&&&&&{2^{0}=1}\\\mathbf{1}&1&1&&&&&&{2^{1}=2}\\ \mathbf{2}&1&2&1&&&&&{2^{2}=4}\\\mathbf{3}&1&3&3&1&&&&{2^{3}=8}\\ \mathbf{4}&1&4&6&4&1&&&{2^{4}=16}\\ \mathbf{5}&1&5&10&10&5&1&&{2^{5}=32}\\ \mathbf{6}&1&6&15&20&15&6&1&{2^{6}=64} \end{matrix}$$

Soma de uma coluna

A soma da coluna, no triângulo de Pascal, pode ser calculada pela relação
$$\begin{pmatrix}n\\n\end{pmatrix} = \begin{pmatrix}n + 1\\n\end{pmatrix} + ... + \begin{pmatrix}n + k\\n\end{pmatrix} = \begin{pmatrix}n + k + 1\\n + 1\end{pmatrix}$$

$$\begin{matrix} &\mathbf{0}&\mathbf{1}&\mathbf{2}&\mathbf{3}&\mathbf{4}&\mathbf{5}&\mathbf{6}\\ \mathbf{0}&1&&&&&&\\\mathbf{1}&1&\underline{\overline{1}}&&&&&\\ \mathbf{2}&1&\underline{\overline{2}}&1&&&&\\ \mathbf{3}&1&\underline{\overline{3}}&3&1&&&\\ \mathbf{4}&1&\underline{\overline{4}}&6&4&1&&\\ \mathbf{5}&1&5&\underline{\overline{10}}&10&5&1&\\ \mathbf{6}&1&6&15&20&15&6&1 \end{matrix}$$


Portanto:
$$1 + 2 + 3 + 4 = 10$$

Simetria

O triângulo de Pascal apresenta simetria em relação à altura, se escrito da seguinte forma:
$$\,\! \begin{matrix} {\begin{matrix}&&\\&&\\&&\\&&\\&&\\&&1\\&1&\\1&&7\end{matrix}} & {\begin{matrix}&&&&1&&&&\\&&&1&&1&&&\\&&1&&2&&1&&\\&1&&3&&3&&1&\\1&&4&&6&&4&&1\\&5&&10&&10&&5&\\6&&15&&20&&15&&6\\&21&&35&&35&&21&\end{matrix}} & {\begin{matrix}&&\\&&\\&&\\&&\\&&\\1&&\\&1&\\7&&1\end{matrix}} \end{matrix}$$

Isso se deve ao fato de que: $$\begin{pmatrix}n\\k\end{pmatrix}= \frac{n!}{k!(n - k)!} = \frac{n!}{(n - k)!k!} = \begin{pmatrix}n\\n - k\end{pmatrix}$$

Reconhecimento do Mérito

O Brasil tem instituições seculares de pesquisa, como IAC e o Instituto Florestal, que atuam com vigor juvenil
por Larry Greenemeier

A necessidade de alimentação nasce tão logo se chega ao mundo. E, no decorrer da vida, surgem outros requisitos para mantê-la. Vem então a prevenção de doenças. Estão aí dois setores em que o Brasil é referência: produção de alimentos e de vacinas. A primeira tem muito da contribuição de instituições como o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, o Instituto Biológico e outras unidades da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Já os cuidados com a saúde passam por institutos paulistas como Butantan e Adolfo Lutz. Desde o combate à febre amarela, bubônica, tifoide, até chegar ao da gripe A H1N1, tem-se a atuação desses órgãos. Apesar da pouca memória histórica, o país é, sim, bem-sucedido em ciência com tecnologias agrícolas, vacinas, energia, aeronáutica e outras.

Com pouco mais de 500 anos, o Brasil tem instituições seculares – o IAC, de 1887, o Instituto Florestal, fundado um ano antes, e vários dos 17 institutos paulistas de pesquisa beiram os 100 anos de existência. Eles não pararam no tempo, graças ao espírito inovador de homens e mulheres de atitude transformadora que, ao criarem novas equipes, ao transmitirem seu conhecimento a novas gerações e lhes permitirem novas descobertas, ampliam a magnitude da ciência tendo o tempo como aliado. É uma maioridade científica com o vigor juvenil.

Seus resultados favorecem a humanidade. O fazer científico requer, além do trabalho incessante, continuado, de cientistas e suas equipes nos experimentos, da visão de futuro da ciência e dos benefícios à sociedade, também o reconhecimento dos escalões de decisão ao progresso que trazem às diferentes populações. É primordial que governos privilegiem ciência, tecnologia e inovação como instrumentos de superação de problemas econômicos e sociais.

Em todas as esferas, as respostas hoje disponíveis foram iniciadas há décadas. Quando o cidadão tem acesso a produto ou serviço que lhe facilita o dia a dia é porque lá atrás profissionais arregaçaram jalecos para experimentar, observar, comprovar. Pessoas que não protelaram a pesquisa sob alegação de falta de tradição científica nacional. A essas pessoas, a nação deve não apenas um melhor modo de vida. O débito envolve também a elevação da autoestima nacional, a passar por empregos dependentes de C&T e o posicionamento no cenário mundial.

É curioso notar que, apesar de todos os avanços, faz pouco tempo que a carreira de pesquisador científico foi reconhecida no estado de São Paulo. A Lei Complementar 125, de 18 de novembro de 1975, organizou a carreira, distinguindo-a das demais existentes no serviço público paulista. A lei alterou o status de atuantes em pesquisas, que antes eram reconhecidos apenas em sua área de graduação, e definiu a progressão na carreira com caráter meritocrático, definindo seis níveis de pesquisador e expondo- o à crescente exigência de capacitação científico-tecnológica.

Esse reconhecimento, além de determinar a continuidade das pesquisas, está relacionado à melhora da qualidade de vida. Nos anos 30, pesquisa do IAC com algodão foi decisiva para a economia paulista não estagnar diante da crise de 1929. No fim da década de 40, descoberta feita pelo Instituto Biológico, em estudos com veneno da jararaca, levou a desdobramentos que resultaram no desenvolvimento de medicamento para hipertensão arterial usado no mundo todo. A preservação da memória e do espírito inovador traz o embasamento para programações científicas capazes de responder às demandas atuais. Exemplos não faltam. Entre os projetos de pesquisa em desenvolvimento no IAC, há vários de grande repercussão, como a coordenação de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Citros, financiado pelo CNPq, e três projetos no Programa Fapesp de Pesquisa em Bionergia (Bioen).

Há muitos outros de intenso reflexo nos setores produtivos desenvolvidos nos institutos da secretarias de Agricultura, Meio Ambiente, Saúde e Economia e Planejamento. No centenário Instituto Butantan, descoberta recente sobre vacina de coqueluche deve ampliar a produção, reduzir custos e colocar o Brasil entre os grandes produtores mundiais do insumo. São inúmeras as contribuições do grupo paulista para o país, e não é possível relatá-las aqui. Fica a chamada para conhecê-las mais de perto, ainda que virtualmente.

A rede de ciência que coloca o Brasil entre as principais nações do mundo envolve gente que toca laboratórios e campos, que investe na parafernália científica e que depende das soluções para ter sua vida melhor. Pessoas que acreditam na prosperidade científica. E é por elas e por todos nós que a ciência há que seguir fascinando na compreensão da realidade e na sustentação da humanidade. Fincada em raízes profundas e reais, ciência e cientistas seguem a missão de melhorar a vida do homem. Todo dia, um passo adiante.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Animais gays podem alterar a evolução?

Aqueles que adotam comportamento sexual entre o mesmo sexo podem estar agindo de acordo com estratégias de adaptação em vez de ir contra elas
por Katherine Harmon

O comportamento homossexual parece explicitamente não-darwinista. Um animal que não passa adiante seus genes, acasalando com o sexo oposto em todas as oportunidades concebíveis, parece ser uma desvantagem evolucionária. Então, por que mais de 450 espécies optam pelo homossexualismo?

Dois biólogos evolucionistas da University of California (UC), campus de Riverside, pretendem responder essa questão em artigo no periódico Trends in Ecology and Evolution. “Esse comportamento está sendo muito observado”, disse Nathan Bailey, pesquisador pós-doutorado da UC Riverside e autor líder do estudo de comportamento homossexual em animais. “Mas levou muito tempo para as pessoas colocarem isso no contexto evolucionário.”

Depois de estudar dúzias de estudos sobre o assunto, Bailey e sua colega Marlene Zuk concluíram que, além de ser uma estratégia de adaptação, “esses comportamentos podem ser uma força”, disse Bailey. “Eles criam um contexto no qual a seleção possa ocorrer [diferentemente] dentro da população.”

Com os albatroses-de-Laysan, por exemplo, uma pesquisa mostrou que um terço de todos os casais da colônia desses animais no Havaí é composto por duas fêmeas. Esse comportamento beneficia os pássaros, pois a colônia tem muito mais fêmeas do que machos formando casais homossexuais. Tal dinâmica pode então forçar mudanças graduais no comportamento e até mesmo aparência física dos pássaros, enfatizaram os autores.

Entretanto, outros pesquisadores não se convenceram que tudo deve se ajustar dentro da rubrica evolucionária, adaptativa. “Devemos pensar além disso”, diz Paul Vasey, que estuda macacos japoneses como professor associado da University of Lethbridge no Canadá.

Seu trabalho mostrou que pelo menos entre as macacas o comportamento homossexual não parece ter nenhuma vantagem de adaptação, o que “não corresponde com a forma das pessoas pensarem sobre o assunto”, disse. Mas conclui: “Você não pode impor sua perspectiva sobre as espécies que está estudando. Tente entender o mundo em seus próprios termos.”

O que tudo isso significa para as discussões sobre homossexualidade humana? Certamente, diz Bailey, “pode haver uma dissonância” entre as disciplinas de estudo humano e animal, e ambas as arenas prometem ser campos férteis para pesquisas futuras.

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