Subscribe Twitter Facebook

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Correção da Prova de Física do ITA 2010

Os candidatos a uma vaga no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) fizeram a prova de física nesta terça-feira (15). Confira a correção do exame elaborada por professores do curso Etapa, em São Paulo.
 

O Universo Elegante - Excelente Documentário

O Universo Elegante - Supercordas, dimensões ocultas e a busca da teoria definitiva, por Brian Greene.




Neste Documentário admirável, Brian Greene relata a história científica e a luta humana por detrás da busca desta teoria final. Ideias revolucionárias e excitantes tais como novas dimensões escondidas no tecido do espaço, buracos negros que se transformam em partículas elementares, cortes e furos no contínuo do espaço-tempo, universos gigantes que se trocam com outros minúsculos, e toda uma variedade de outros aspectos que desempenham um papel essencial na compreensão de algumas das questões mais profundas de todos os tempos.

Com autoridade e charme, através do uso da metáfora e de analogias, Brian Greene consegue tornar acessíveis alguns dos conceitos mais sofisticados alguma vez pensados, levando-nos mais perto do que nunca a compreender como funciona o universo.

No total são 3 partes com 50 minutos cada

Vídeo info:

Qualidade: DVDRIP
Resolução: 712x362
Codec: Xvid/Mp3
Duração: 56 min
Tamanho: 474MB

Download via Html (Mega Upload)

Primeira Parte: Einstein's Dream


Primeiro Episódio, parte 1 de 2, 235MB
Primeiro Episódio, parte 2 de 2, 230MB


Segunda Parte: String's the Thing


Segundo Episódio, parte 1 de 2, 248MB
Segundo Episódio, parte 2 de 2, 246MB


Terceira Parte: Welcome to the 11th Dimention


Terceiro Episódio, parte 1 de 2, 225MB
Terceiro Episódio, parte 2 de 2, 225MB

Microrganismo ressurge após 120 mil anos


Paciência e uma incubadora conseguiram fazê-lo procriar novas colônias
por Paul Southerland
Penn State
O microrganismo recém-descoberto,visto com um poderoso microscópio
Cientistas trouxeram de volta à vida um microrganismo recém-descoberto, após mais de 120 mil anos de hibernação − o que dá esperanças quanto ao ressurgimento de vida dormente em Marte. O minúsculo microrganismo roxo, denominado Herminiimonas glaciei, estava preso sob quase 3km de gelo, na Groenlândia. Foram necessários 11 meses para reanimá-lo, aquecendo-o aos poucos em uma incubadora. O microrganismo finalmente tornou a viver e iniciou a produção de novas colônias com bactérias marrom-arroxeadas.

Os cientistas espaciais estão animados com a descoberta, pois sugere que criaturas alienígenas podem ser reanimadas em outros planetas congelados – especialmente no planeta vermelho. A Nasa revelou no ano passado que colunas de metano, em Marte, poderiam ser produzidas por organismos vivos. Alguns pesquisadores acreditam que, no planeta vermelho, vários microrganismos estejam dormentes sob uma grossa camada de gelo subterrâneo. Uma futura missão espacial poderá desenterrá-los e trazê-los de volta à vida.

A sonda espacial europeia Mars Express localizou outras regiões que potencialmente abrigam formas primitivas de vida alienígena. O mais novo inseto da Terra foi encontrado pela dra. Jennifer Loveland-Curtze e por uma equipe de cientistas da Pennsylvania State University. Essa equipe demonstrou ter uma paciência enorme para reanimar esse microrganismo hibernante.

Primeiro, incubaram as amostras a 2°C, por sete meses, e, depois, a 5°C, durante mais quatro meses e meio. Após esse período, observaram-se colônias de uma minúscula bactéria marrom-arroxeada. O microrganismo H. glaciei é muito pequeno – 10 a 50 vezes menor que a E. coli. Segundo os especialistas, esse tamanho diminuto provavelmente o ajudou a sobreviver nos canais aquosos, situados entre os cristais de gelo e a fina película líquida que os envolve.

Segundo explicações da dra. Loveland-Curtze, microrganismos semelhantes a este podem existir em outros planetas e o estudo desses seres, em condições extremas na Terra, deve fornecer pistas sobre quais tipos de formas de vida poderiam sobrevier em outros locais do sistema solar.

Ao site Skymania News, a doutora deu a seguinte declaração: “Muitos cientistas consideram que o gelo polar terrestre reúne as condições mais parecidas com as encontradas pelas vidas extraterrestres, particularmente onde se detectou água congelada. O gelo polar do nosso planeta pode preservar células microbianas e ácidos nucleicos por centenas de milhares de anos. Essas células estão sendo cultivadas por uma camada de gelo de 750 mil anos e um permafrost de vários milhões de anos.” No entanto, ela complementa: “Neste momento, não podemos afirmar ainda se alguma célula marciana, caso exista, poderá vir a ser reanimada”.

Insetos anteriormente encontrados no Ártico canadense foram despertados após 30 mil anos de hibernação. Um dos maiores estudiosos britânicos sobre Marte acredita que os microrganismos marcianos podem também estar dormentes, aguardando para ser reanimados. Dr. John Murray, da Open University britânica e principal cientista da missão européia Mars Express, descobriu fortes evidências de um extenso oceano congelado, situado sob a poeira localizada perto do equador daquele planeta, onde formas primitivas de vida poderiam surgir como micróbios.

O último teorema de Fermat

O último teorema de Fermat, assim como ficou conhecido, se originou de uma pequena observação escrita por Fermat às margens de uma tradução do Arithmetica de Diofanto.

Teorema [Último teorema de Fermat]: não existem inteiros x,y,z tais que xn + yn = zn para n>2.

O caso em que n=2 é conhecido como Teorema de Pitágoras e diz que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Existem obviamente infinitas soluções para esse caso, (3,4,5) é o exemplo mais comum. No entanto se na equação acima trocar a potência 2 por 3, não existem x,y,z que satisfaçam a igualdade. Trocando novamente a potência 3 por 4 e assim por diante Fermat observou que obtinha equações que não tinham soluções. Assim surgiu a conjectura1.

Após suas conclusões Fermat deixou indícios que saberia demostrar a sua conjectura nas margens de seu livro.
"Encontrei uma demonstração verdadeiramente maravilhosa disto, mas esta margem é estreita demais para contê-la."
A partir daquele momento, nascia o problema que iria confundir e frustrar os matemáticos mais brilhantes do mundo por mais de 350 anos. O último teorema de Fermat, tornou-se o Santo Graal da matemática.

A fama do último teorema de Fermat deriva unicamente da tremenda dificuldade em demonstrá-lo. No entanto, os comentários de Fermat na margem do seu livro serviam como um desafio ao mundo. Este problema é imensamente difícil e, no entanto, pode ser enunciado de uma forma que qualquer estudante possa entender. À medida em que os anos foram se passando, mais e mais matemáticos brilhantes se viram derrotados e frustrados por fracassarem em sua prova: o último teorema de Fermat ganhava notoriedade.

Pierre Fermat foi o matemático mais importante de sua época no entanto nunca teve formalmente a matemática como a principal atividade de sua vida. Jurista e magistrado por profissão, dedicava à Matemática apenas suas horas de lazer.

"Fermat é um fanfarrão." (Descartes)

Uma prova elegante em matemática é uma prova pequena e simples. Em 1995, Andrew Wiles um matemático britânico demonstrou o último teorema de Fermat usando uma matemática avançadíssima e nada elegante.

Supondo que Fermat soubesse a solução, (existem pessoas que desconfiam que Fermat era realmente um fanfarrão), haveria uma demonstração mais simples para o último teorema, usando os conhecimentos matemáticos do século XVII. Mas isto é um outro problema...

Observações

Este teorema não tem aplicação nenhuma per se: ele toma um valor importante, no entanto, devido às idéias e às ferramentas matemáticas que foram inventadas e desenvolvidas para prová-lo. Pode-se entender este teorema graficamente considerando-se a curva da equação
xn + yn = 1 quando n > 2, essa curva não passa por nenhum ponto com coordenadas racionais diferentes de zero.

Glossário

1. Em matemática uma conjectura é uma conclusão que apesar de não ter sido demonstrada, isto é ainda não existe uma prova, parece ser uma verdade incontestável pois de alguma forma não existem contra-exemplos para invalidar a tese.

A Música e o Cérebro - Entrevisa com Oliver Sacks




De todos os animais, o homem é o único dotado de ritmo, capaz de responder à música com movimentos. É também o único a apresentar um cérebro adaptado para compreender complexas estruturas musicais e ainda se emocionar com elas. Músicos apresentam alterações em regiões cerebrais jamais vistas em outros profissionais. Para o neurologista britânico Oliver Sacks, a musicalidade é tão primordial à espécie quanto a linguagem e entender a relação entre música e cérebro é crucial para a compreensão do homem.
Em seu mais novo livro, “Alucinações musicais” (Editora Companhia das Letras), o especialista relata casos de pessoas que reagem à música de formas incomuns. Há os que simplesmente não conseguem ouvi-la. E há os que a ouvem o tempo todo, mesmo quando nenhuma melodia está tocando.
Há gente que passou a ouvir os sons de forma diferente após ser submetido a uma cirurgia cerebral. E mesmo os que desenvolveram um incomum talento musical. Nesta entrevista, Sacks conta que há um vasto caminho ainda a percorrer para que se possa entender completamente esses fenômenos. Mas uma coisa, diz, é fato: “A música se apossou de muitas partes do cérebro humano.”
O GLOBO (Roberta Jansen): O senhor concorda com Charles Darwin quando ele diz que a música teve um papel importante na evolução? Especificamente na seleção sexual, como um atrativo a mais para o sexo oposto? (ver nota dos editores)
OLIVER SACKS: Como o comportamento e as suscetibilidades não deixam registros fósseis, é difícil saber como nossos ancestrais se comportavam. Mas estou inclinado a pensar que a música surgiu muito cedo na espécie humana, tão cedo quanto a linguagem. Linguagem e música são fontes de comunicação primordiais.
GLOBO: O senhor discorda, portanto, de Steven Pinker e de outros especialistas que sustentam que a música é um subproduto do aparato sensorial, prazerosa mas dispensável?
SACKS: Sim, discordo de Pinker. Não vejo a música como algo acidental e trivial, como um subproduto da linguagem.A música está presente em todas as culturas e apresenta, nos seres humanos, aspectos únicos que não têm paralelo na linguagem. Falo do ritmo, do fato de respondermos à música com movimentos. Nenhum outro animal faz isso. É preciso ver o ritmo como algo primordial na evolução humana.Porque todos os seres humanos respondem a ele. A música une as pessoas. E há conexões específicas no cérebro para isso.
GLOBO: Unir as pessoas poderia ser uma vantagem evolutiva?
SACKS: Não posso dizer que a musicalidade humana se desenvolveu para unir as pessoas.Mas algo surgiu, se mostrou vantajoso e houve a seleção dessa característica. É claro que a musicalidade é uma vantagem evolutiva. Nenhum outro animal dança com ritmo, mas qualquer criança o faz. Isso pode ter sido um fenômeno quando surgiu, todos esses pequenos seres dançando.
GLOBO: De que forma isso é marcado no cérebro humano?
SACKS: Muitas partes do cérebro se desenvolvem com a percepção, o aprendizado e a imaginação do ritmo. De novo, nenhum outro animal tem a capacidade de ouvir e analisar sons complexos, com tons, semitons, ritmos, palavras.Essa habilidade é especificamente humana. Mesmo pessoas que sofrem de mal de Alzheimer ou tiveram um derrame respondem à música.Várias estruturas do cérebro se relacionam a isso.
GLOBO: De que forma?
SACKS: A música se apossou de muitas partes do cérebro humano. É possível ver como o cérebro se modifica em resposta à música. Estudos com imagens do cérebro já comprovaram a ampliação de determinadas regiões no cérebro de músicos. Vendo imagens de cérebros, não dá para dizer quem é matemático ou escritor. Mas dá para dizer facilmente quem é músico quando essas estruturas ampliadas aparecem.
GLOBO: Há alguma parte do cérebro especialmente voltada para música?
SACKS: Não há uma só parte do cérebro. A música está em todo mundo, por todo o cérebro, envolve várias partes desse órgão e não necessariamente as mesmas. Isso é que é o mais incrível.
GLOBO: Mas há também os que não respondem de forma alguma à música, não é?
SACKS: Sim, há algumas pessoas que não percebem musica e ficam muito impressionados com os relatos. Há outros que não ouvem determinados tons ou semitons. Essas amusias ocorrem em razão de danos no cérebro. Parte da rede que está faltando.
GLOBO: E as alucinações musicais? Até que ponto elas poderiam ser interpretadas como um problema psicológico?
SACKS: Quando uma pessoa tem alucinação musical (ouve música que ninguém mais está ouvindo), a primeira coisa que pensa é que ficou louco, que está ouvindo coisas. Mas é um processo completamente diferente de ouvir vozes como os esquizofrênicos. Eles recebem ordens, é bem diferente e as pessoas enfatizam isso. Alucinações musicais são bem comuns, são como velhas memórias que tocam na mente. Não é uma doença mental.
GLOBO: Por que a música muitas vezes provoca uma reação emocional? Como o cérebro é capaz de diferenciar uma melodia triste de uma alegre?
SACKS: Um dos maiores poderes da música é controlar emoção, desenvolver, provocar respostas emocionais. Anatomicamente, podemos dizer que algumas regiões do cérebro afetadas pela música estão perto daquelas ligadas às emoções, envolvidas nas percepções dos cheiros que despertam memórias. Mas ainda não está claro como essas respostas emocionais ocorrem. Não se sabe ainda o quanto depende da cultura.

Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2007/09/29/297941924.asp

Escalas Flexíveis e Oitavas Imutáveis


Mick Hamer

Uma das estrelas do último encontro da Associação de Matemática da América foi Robert Schneider, guitarrista principal da banda indie "The Apples in Stereo". Membros da associação ouviram com fascinação uma das faixas do último álbum da banda, "New Magnetic Wonder" (Nova Onda Magnética). Desde as primeiras notas, a música soa estranha e até quase fantasmagórica, um pouco como uma gravação tocada ao contrário.
Sua qualidade etérea se dá parcialmente pelo uso de geradores de tons no lugar de instrumentos musicais convencionais. Há também uma razão profunda pela qual a música soa estranha: ela faz uso de uma escala musical não usual, na qual os intervalos entre as notas são baseados em logaritmos. Assim mesmo, quanto mais você ouve à música, mais ela se torna prazerosa. "Quando experimentamos funções matemáticas com nossos ouvidos, chamamos isso de som", diz Schneider. "Quando a matemática é particularmente elegante e bem ordenada, nós a chamamos de música".
Schneider não é o primeiro músico a inventar uma nova escala musical, algumas culturas musicais de longa data, como orquestras de gamelão de Bali e Java, usam escalas bastante diferentes do padrão ocidental. Mesmo as escalas usadas pelos músicos medievais do Ocidente eram diferentes daquelas familiares aos ouvidos modernos. Diferenças que levantam a questão: seria a nossa preferência musical baseada em algo a que estamos acostumados ou em algo inato? As discussões têm sido intensos por décadas sobre até que ponto a música é um aspecto natural ou cultural, mas agora algumas evidências firmes começaram a emergir.
Tanto melodias, quanto escalas musicais se baseiam em diferenças de freqüência – o que os músicos chamam de "intervalos" – entre as notas. Ouvindo pares de freqüências tocadas aleatoriamente e ao mesmo tempo, você perceberá que algumas combinações sonoras soam prazerosas, enquanto outras podem ser desagradáveis. Aquilo que importa, no que tange a nossa percepção, é a relação entre as freqüências: aquelas que preferimos tendem a ter relações simples como 2:1, 3:2 e assim por diante.
Quando uma nota tem o dobro da freqüência de outra – um intervalo de uma oitava – as duas juntas não apenas soam de forma agradável, como parecem quase a mesma. Não apenas ouvimos a mesma nota para o Dó central (normalmente em 261.6 hertz) e a sua oitava acima (523.2 hertz), como chamamos ambas de Dó. Dar o mesmo nome para notas separadas em uma oitava não é apenas uma convenção européia. "Isso acontece em todas as culturas que nomeiam as notas", diz Martin Braun da organização de pesquisas em Neurociência Musical, perto de Karlstad, na Suécia.

Tocando com Escalas.

Isso, contudo, é onde o terreno em comum acaba. A maior parte da música ocidental é baseada em uma escala na qual a oitava é dividida em 12 notas, chamadas de semitons, cada uma delas diferenciando-se em freqüência da última à razão da raiz 12ª de 2, ou 5.95 por cento. Algumas culturas usam um sistema diferente. Em Java e Bali, por exemplo, existem duas escalas diferentes, uma dividindo a oitava em cinco notas mais ou menos igualmente espaçadas, outra dividindo em sete notas não tão igualmente espaçadas. Orquestras de gamelão tocam nas duas escalas e o som é definitivamente estranho para os não iniciados.
Na escala logarítmica de Schneider, notas sucessivas ficam cada vez mais perto uma da outra e o número de tons individuais por oitava aumentam quase exponencialmente em oitavas sucessivas. O resultado é uma música apropriada para bases computadorizadas. Para tocar essa música em um piano, seria necessário um instrumento de teclado infinito, sem contar um pianista de braços infinitamente extensos. Apesar de sua natureza aparentemente exótica, a música soa melódica, mesmo quando os intervalos entre as notas individuais soam estranhos.
Assim, aparentemente, é possível bagunçar as escalas, pois o modo pelo qual os ouvintes percebem o resultado musical depende, em parte, daquilo a que estão acostumados. Mas, quando o assunto são as oitavas, as coisas ficam menos flexíveis. Há uma razão física para isso. Uma corda afinada no Dó central, não apenas vibra em 261.6 hertz (a fundamental), mas também em múltiplos da fundamental, conhecidos como harmônicos (veja o Diagrama). De fato, todos os instrumentos produzem um espectro de sons como esse [N.T. – Embora o envelope harmônico do som de cada instrumento tenha características únicas, o que é conhecido como "timbre"].

Oitavas Imutáveis.

Isso poderia explicar porque os macacos Rhesus, que são decididamente amusicais, conseguem reconhecer tons simples previamente aprendidos, mesmo quando são transpostos para cima ou para baixo em uma oitava, mas falham nesse reconhecimento quando os tons são transpostos em meia oitava (ver o artigo "Os Animais são Naturalmente Musicais?"). Braun afirma que isso sugere que nossos cérebros são pré-programados para reconhecer oitavas, e sua própria pesquisa revela que o cérebro humano detecta oitavas mesmo quando a percepção de altura é interrompida.
Em seu estudo, Braun contou com a ajuda de uma pianista concertista com ouvido absoluto – o que significa dizer que ela é capaz de identificar a altura de qualquer nota, mesmo quando tocada isoladamente – e uma droga controladora de humor, chamada carbamazepine, a qual tem o curioso efeito colateral de alterar para baixo a percepção de altura em cerca de meio tom e distorcer a percepção dos intervalos musicais. Braun afirma que o experimento demonstra que duas notas separadas por uma ou mais oitavas compartilham o mesmo caminho neurológico, ativando um grupo de neurônios específico de uma parte do cérebro chamada de tálamo auditivo. Assim, embora o reconhecimento das oitavas pareça ser inato, aprendemos outros intervalos musicais da mesma forma que as crianças aprendem as linguagens.
Há algo de libertador em saber que nossa apreciação musical é uma mistura de elementos naturais e culturais. Isso significa que, com o passar do tempo, poderíamos começar a apreciar sons que inicialmente tínhamos como ofensivos. Também explica uma longa lista de músicos que eram considerados avançados para seu tempo, mas que hoje são vistos como tradicionais.

Fonte: Revista New Scientist, vol. 197, nr. 2644 (23 de fevereiro de 2008), p. 32-34.
Artigo original disponível on-line em http://www.newscientist.com/article/mg19726441.400-music-special-flexible-scales-and-immutable-octaves.html

Tradução: Adrian Theodor (março e abril/2008). Revisão: Levi de Paula Tavares.

Teoria do Caos - Resumo das idéias prinicpais

É uma das leis mais importantes do Universo, presente na essência de quase tudo o que nos cerca. A idéia central da teoria do caos é que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer conseqüências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Por isso, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis - caóticos, portanto. Parece assustador, mas é só dar uma olhada nos fenômenos mais casuais da vida para notar que essa idéia faz sentido. Imagine que, no passado, você tenha perdido o vestibular na faculdade de seus sonhos porque um prego furou o pneu do ônibus. Desconsolado, você entra em outra universidade. Então, as pessoas com quem você vai conviver serão outras, seus amigos vão mudar, os amores serão diferentes, seus filhos e netos podem ser outros...
No final, sua vida se alterou por completo, e tudo por causa do tal prego no início dessa seqüência de eventos! Esse tipo de imprevisibilidade nunca foi segredo, mas a coisa ganhou ares de estudo científico sério no início da década de 1960, quando o meteorologista americano Edward Lorenz descobriu que fenômenos aparentemente simples têm um comportamento tão caótico quanto a vida. Ele chegou a essa conclusão ao testar um programa de computador que simulava o movimento de massas de ar. Um dia, Lorenz teclou um dos números que alimentava os cálculos da máquina com algumas casas decimais a menos, esperando que o resultado mudasse pouco. Mas a alteração insignificante, equivalente ao prego do nosso exemplo, transformou completamente o padrão das massas de ar. Para Lorenz, era como se "o bater das asas de uma borboleta no Brasil causasse, tempos depois, um tornado no Texas". Com base nessas observações, ele formulou equações que mostravam o tal "efeito borboleta".
Estava fundada a teoria do caos. Com o tempo, cientistas concluíram que a mesma imprevisibilidade aparecia em quase tudo, do ritmo dos batimentos cardíacos às cotações da Bolsa de Valores. Na década de 70, o matemático polonês Benoit Mandelbrot deu um novo impulso à teoria ao notar que as equações de Lorenz batiam com as que ele próprio havia feito quando desenvolveu os fractais, figuras geradas a partir de fórmulas que retratam matematicamente a geometria da natureza, como o relevo do solo ou as ramificações de nossas veias e artérias. A junção do experimento de Lorenz com a matemática de Mandelbrot indica que o caos parece estar na essência de tudo, moldando o Universo. "Lorenz e eu buscávamos a mesma verdade, escondida no meio de uma grande montanha.
A diferença é que escavamos a partir de lugares diferentes", diz Mandelbrot, hoje na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. E pesquisas recentes mostraram algo ainda mais surpreendente: equações idênticas aparecem em fenômenos caóticos que não têm nada a ver uns com os outros. "As equações de Lorenz para o caos das massas de ar surgem também em experimentos com raio laser, e as mesmas fórmulas que regem certas soluções químicas se repetem quando estudamos o ritmo desordenado das gotas de uma torneira", afirma o matemático Steven Strogatz, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Isso significa que pode haver uma estranha ordem por trás de toda a imprevisibilidade. Só a continuação das "escavações" pode resolver o mistério.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Dinheiro real de mundos virtuais

Jogos de fantasia on-line movimentam comércio bilionário de troca de ouro virtual por moeda de verdade, sobretudo em países asiáticos
por Richard Heeks



Parece pergunta de um alquimista digital. Como transformar ouro virtual em real? Centenas de milhares de gold farmers (fazendeiros do ouro) em países em desenvolvimento já encontraram a lucrativa resposta. Hoje, eles são empreendedores que ganham a vida lucrando com jogos on-line. Ao assumir personagens de fantasia, matam monstros, mineram metais preciosos ou exercem atividades diversas para ganhar “ouro virtual”, que, em seguida, vendem a outros jogadores, na maioria de países ricos, por dinheiro do mundo real. Compradores e vendedores da moeda virtual usam esse ouro para determinar o destino dos personagens nos jogos de fantasia.

Na China, um gold farmer que vende dinheiro virtual pode ganhar um salário equivalente, ou até mais alto, que o de um montador de brinquedos que trabalha 12 horas por dia em uma fábrica. Assim, essa atividade, surgida há 10 anos, transformou-se numa engenhosa, embora controversa, maneira de as nações mais pobres ganharem dinheiro com tecnologia de informação e de comunicação, e também uma opção para trabalhadores pobres desenvolverem habilidades digitais que podem ser usufruídas posteriormente em outros empregos de TI, longe dos jogos on-line.

Em poucos anos, o gold farming se transformou em uma poderosa indústria. A melhor estimativa sugere que na Ásia, particularmente na China, onde está a maioria dos farmers: mais de 400 mil jogadores passam o dia acumulando ouro. O total anual de comércio em ouro virtual é de pelo menos US$ 1 bilhão. Estima-se que 10 milhões de jogadores em todo o mundo compram ouro ou serviços de gold farmers para avançar no jogo.

Antes praticamente invisível aos que não jogam, o gold farming agora interessa muito a economistas e sociólogos e é visto como um ponto de interseção onde ricos, pobres, o real e o virtual se cruzam. Nos últimos anos, acadêmicos e a mídia em geral desenvolveram um fascínio pela dinâmica de jogos que representam mundos minúsculos, movendo-se em velocidade acelerada – o destino de jogadores e grupos sofre ascensões e quedas em questão de dias e semanas, e não décadas ou séculos, como a vida humana
O gold farming aponta para um caminho de oportunidades para os países em desenvolvimento. Na medida em que as pessoas passam cada vez mais tempo de trabalho e de lazer on-line, a necessidade de serviços virtuais – sob o pretexto de cyberwork – só irá crescer. Futuros levantamentos a respeito do gold farming vão nos mostrar como o comércio internacional e a internet podem estimular atividades empresariais.

Mas também levantarão questões difíceis. A China e outros países em desenvolvimento devem apoiar o gold farming como forma de ampliar suas exportações e empregos? Os gold farmers conseguirão migrar para empregos de TI de maior qualificação? O gold farming oferece um modelo para novas formas de desenvolvimento econômico? Qual outros tipos de cyberwork podem surgir? São muitas perguntas para os cientistas sociais, mas todas servem como um lembrete de que as comunicações de banda larga darão aos países mais pobres um papel fundamental na emergente economia digital.

Todos os direitos reservados a Scientific American Brasil.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Universos Paralelos




Sinopse
"BBC Horizon - Parallel Universes" é um documentário que trata da mais nova teoria da física, que uniu a teoria das super cordas com a teoria da super gravidade, a chamada "Teoria M", que tenta explicar o que veio ANTES do Big Bang. Os físicos chegaram a conclusão que, para o universo ser sustentável matematicamente, ele precisa necessariamente ter 11 dimensões. E que na verdade o Big-Bang não foi a explosão de uma singularidade, mas sim o choque entre duas dimensões. Conclui que nosso universo é na verdade um Multiverso, com infinitos universos.

E nós do Clave de Pi, disponibilizamos ele para você baixar e aprender um pouco mais sobre esta teoria.

Download: Via Torrent
Créditos de upload: Bestdocs
Parte 01

Quantas dimensões existem no universo?

 A teoria de Einstein diz que são 4, mas há cientistas que falam em 11 ou mais. Afinal, quem é que está certo?

Por Salvador Nogueira


No início do século 20, a resposta para essa pergunta era tão óbvia quanto velha. Euclides, lá na Grécia antiga, já havia sacado que são 3 as direções possíveis para qualquer movimento: para cima (ou para baixo), para a esquerda (ou para a direita) e para a frente (ou para trás). Portanto, o espaço possui 3 dimensões. Fácil, não?

Até que, em 1905, Einstein começou a bagunçar tudo. Nesse ano, ele fez 3 descobertas importantes e uma delas demonstrava que, ao contrário do que dizia a física até então, o espaço e o tempo não eram fixos e imutáveis. Na verdade, eles eram flexíveis e manipuláveis, de modo que era possível, sob certas condições, encolher o tamanho de um centímetro ou esticar a duração de um segundo.

E o pior: a modificação sobre um estava atrelada à transformação do outro. Ou seja: o tempo era, do ponto de vista físico, indistinguível do espaço. Com isso, deixou de ser possível falar em 3 dimensões – já que o tempo não podia mais ser colocado em uma gaveta distinta da das outras dimensões. Ficou claro que tudo era uma coisa só: um continuum espaço-tempo, como os físicos hoje adoram dizer.

Até aí, bastava incorporar o tempo, que até Euclides conhecia, à lista das 3 dimensões existentes. Mas Einstein fez questão de complicar as coisas quando, em 1915, conseguiu aprofundar sua Teoria da Relatividade. Ao estudar os movimentos acelerados, ele percebeu que a gravidade era nada menos do que uma distorção na geometria das 4 dimensões. Saía de cena a geometria euclidiana e vinha em seu lugar uma geometria não-euclidiana (em que a soma dos ângulos de um triângulo não necessariamente dá 180 graus e linhas paralelas podem se cruzar).

Não satisfeito em pôr de cabeça para baixo a geometria básica do Universo, Einstein decidiu que o passo seguinte era unificar a física toda num só conjunto de equações. Naquela época, em que ninguém conhecia ainda as forças que agiam dentro dos átomos, a tão sonhada unificação era apenas uma questão de costurar a relatividade (que explicava a gravidade) e o eletromagnetismo (responsável, como você pode imaginar, pelos fenômenos elétricos e magnéticos, ambos relacionados à partícula que aprendemos a chamar de elétron).

Einstein não foi muito adiante com seus esforços, mas outros foram inspirados por sua busca. Entre eles, dois se destacaram muito cedo: Theodor Kaluza e Oskar Klein. Trabalhando individualmente em meados da década de 1920, os dois perceberam que, se a relatividade geral fosse reescrita para acomodar 5 dimensões, em vez de 4, as equações do eletromagnetismo brotavam naturalmente dela.

Mas tinha um probleminha: até onde se pode ver, o Universo não tem 5 dimensões, apenas 4. Klein, em 1926, sugeriu que não podíamos ver a 5a dimensão porque ela estaria enrolada em si mesma, como um tubinho minúsculo. De lá para cá, outras forças que agiam no interior do átomo foram descobertas e, por algum tempo, a idéia de dimensões extras foi esquecida. Foi então que surgiu a Teoria das Supercordas – a noção de que as partículas que compõem o Universo poderiam ter a forma de cordas vibrantes (com cada vibração dando as características da partícula). Os físicos desconfiam que, a partir dessa premissa, seria possível descrever todos os componentes da natureza numa única teoria – mas só se o Cosmos possuísse nada menos que 26 dimensões.

Uma dimensão enrolada escondida, vá lá. Mas quem vai acreditar em 22 dimensões escondidas? Como explicar que 4 dimensões são aparentes e as outras todas ficam ocultas? Pois é, como os próprios físicos achavam essa idéia difícil de engolir, começaram a trabalhar numa forma de reduzir o número de dimensões necessárias. Hoje eles já conseguiram fechar com 10 ou 11 dimensões – e muitos pesquisadores acreditam que o número não vai cair muito mais que isso. Ou seja, se a Teoria das Supercordas estiver certa, o Universo deve estar cheio de dimensões enroladas e, portanto, invisíveis.